terça-feira, 13 de outubro de 2015

Visita Adubos Paranaíba



Fonte: Arquivo pessoal

    Gente hoje estou aqui para relatar uma visita técnica que minha turma realizou no dia 06/10/15 em uma empresa misturadora de adubos aqui na cidade de Uberlândia chamada Adubos Paranaíba.

   Ao chegarmos no local fomos recebidos pelo responsável técnico da empresa, Domingos Bueno, que nos contou uma pouco a respeito das atividades da empresa e da situação enfrentada atualmente.

   Como eu já disse a Adubos Paranaíba é uma misturadora de fertilizantes ou seja ela adquire a matéria prima e faz formulações diversas a partir dos produtos disponíveis na empresa.

   O Domingos nos conduziu a um passeio dentro dos galpões da empresa para que pudêssemos entender e ver como a matéria prima é armazenada e misturada. Nos levou ainda ao laboratório da empresa onde são feitas as análises para testar a garantia de seus fertilizantes.

   Algo que achei interessante é que já foi tema de uma postagem no blog é quanto a amostragem de fertilizantes, o químico responsável pelo laboratório nos relatou, que na semana anterior a nossa visita eles tiveram um problema quanto a análise de seus fertilizantes. 

   O que ocorreu é que um cliente resolveu amostrar o fertilizante adquirido e levar a amostra a um laboratório escolhido pelo mesmo, as amostras apontaram grande divergência com as amostras do laboratório da Adubos Paranaíba, ou seja o fertilizante testado pelo laboratório do cliente apresentou garantia menor do que a assegurada pela empresa, no fim os responsáveis pela Adubo Paranaíba questionaram como foram feitas as coletas das amostras e perceberam que não tinha sido realizada da forma correta, o que claro acarreta um resultado que não relata a situação verdadeira. Isso nos mostra a importância de seguir simples indicações, que uma vez ignoradas geram transtornos e imprecisão no que queremos.

   Bom voltando a visita o Luis nosso professor de adubos e adubação nos entregou um roteiro, na verdade um questionário a ser respondido ao longo da visita, as perguntas e suas respectivas respostas estão em seguida.


1-     Qual a capacidade produtiva da empresa? Como está o negócio de fertilizantes no ano de 2015 e qual a perspectiva para os próximos anos?
A capacidade produtiva da empresa é de 70 a 80 mil toneladas. O negocio de fertilizantes no ano de 2015 esta parado por conta da crise enfrentada pelo país. A previsão para os próximos anos ainda é incerta.
   2-A empresa pode produzir a formula NPK que desejar? Quantas fórmulas a empresa tem registrado no MAPA? 
Pode desde que seu registro seja feito junto ao MAPA. Atualmente a   empresa conta com 500 fórmulas registradas.
 3- Quais os tipos de análises realizadas no laboratório da empresa? Qual a finalidade de tais analise.
       São realizadas análises químicas e físicas. Tem como finalidade atestar a garantia de seus produtos.
4- Quais as matérias primas utilizadas para produção de fertilizantes mistos? Qual a origem delas?
As matérias primas utilizadas para a produção de fertilizantes mistos são Ureia, Sulfato de amônio, Kcl e P2O5. Tem como origem China, Canadá, EUA e no Brasil a cidade de Uberaba (Vale Fertilizantes).
5- Qual o enchimento usado pela empresa para fechar as formulas? Se não utilizam o que fazem para que isto seja possível?
        A empresa tem a política de não utilizar enchimento e sim a própria matéria prima. 
  6- Descreva todas as etapas da produção do Fertilizante 08-28-16.
        Cada mineral é colocado na misturadora de forma separada  e vai para o silo aonde o controlador faz com que os fertilizantes se misture de forma a atender o pedido. Então após ter feito a divisão dos pesos e fechada a formulação, ai cabe ver como vai ser, se é  embalado em sacos de menor peso, ou em bags ou em sacas de 60kg.

  7- Como é produzido o fertilizante revestido? Qual a base do polímero utilizado?
É produzido através da mistura de aditivos e corantes para indicar que o mesmo foi tratado no caso revestido. A base do polímero utilizado é m pó.
8- Descreva as condições de armazenamento da matéria prima.
São armazenados em silos, sacaria e bag de 3 toneladas.
 9- Comente sobre as condições de segurança e meio ambiente da empresa.
A empresa segue os padrões exigidos, bem como conta com uma empresa responsável pela parte de segurança do trabalho. Pode-se perceber ainda que os funcionários que circulam pelas áreas de risco da empresa utilizam de equipamentos de segurança.


  Enfim gostei muito de conhecer a empresa e poder entender um pouco mais sobre o funcionamento da confecção dos fertilizantes, como é feito parte do processo antes de chegar até o consumidor final ou seja o produtor.

Vou colocar algumas fotos tiradas na visita para que vocês possam ver um pouco da empresa e seu funcionamento.
Fonte: Arquivo Pessoal
Fonte: Arquivo Pessoal

Aula prática 1

  Oi galera no dia sete de setembro na aula de adubos e adubação nos tivemos uma aula prática no campus mesmo, do IFTM (Instituto Federal do Triângulo Mineiro).

  Fomos até o galpão onde ficam armazenados  os fertilizantes, o professor Luis nos entregou um roteiro com perguntas para que pudéssemos encontrar o que ele pedia no galpão.


  E essas são as perguntas e respostas, logo ai embaixo. 

1) Identificar os seguintes fertilizantes:

a)    Dois tipos de fertilizantes ternários:
     14-03-19
     20-05-20

 b)    Um binário:
       06-30-00

c)  Um mononutriente:
     00-00-39

      d)      Um fertilizante mineral sintético:
Ureia

      e)      Um fertilizante com macronutriente:
      K20

     f)       Fertilizante organomineral:
       30-00-20

     g)      Um fertilizante na forma de mistura de grânulos:
20-05-20
  
     h)      Um fertilizante de natureza física granulada:
NPK

     i)        Um fertilizante de natureza física em pó:
 MAP 06-30-00

     j)        Numero de Registro do fertilizante no MAPA:
 MG- 05049.10189-8
 Fertilizante: 20-05-20

02)   Avaliar a dureza dos grânulos da uréia, do MAP, do KCl e do Organomineral.
       Ureia- Mediamente duro
       MAP- Duro
       KCL- Muito duro
       Organomineral- Média

03)   Identificar um fertilizante que apresenta empedramento. Apresentar os inconvenientes de se utilizar.
30-00-20. O inconveniente é que quando esse fertilizante foi utilizado o manejo vai ter que ser diferente, pois as pedras terão que ser quebradas o que pode formar pó que diminui sua eficiência na aplicação.

04)   Qual a diferença entre a embalagem do KCl e da Uréia? Por que desta diferença?
  O KCL tem embalagem de nylon  e a Ureia esta em saco plástico a diferença e quanto a higroscopicidade que é maior na ureia.

  A aula foi bastante proveitosa, além de sairmos da rotina de ficar somente em sala de aula, foi possível ver como são as embalagens, forma de armazenamento e como são dispostas as informações dos adubos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Fertilizantes de liberação lenta. O que são?


  Muito se houve falar nos fertilizantes de liberação lenta mais o que isso quer dizer afinal. São fertilizantes que disponibilizam o nutriente em questão de forma gradual por maior tempo, com isso a absorção pela planta se torna mais eficiente, consequentemente diminui as perdas.

  Para BOCKMAN & OLFS, 1998; SHAVIV, 1999 se trata de adubos que são revestidos por substâncias orgânicas, inorgânicas ou resinas sintéticas, o que permite que a liberação seja de forma lenta e gradual. Geralmente as substâncias utilizadas para o revestimento são na maioria das vezes ureia, como poliamidas, enxofre elementar ou até mesmo polímeros de diversas naturezas.

  Segundo SHAVIV (2001) além da melhor absorção das plantas os fertilizantes de liberação lenta proporciona o fornecimento regular e contínuo de nutrientes para as plantas; menor frequência de aplicação; proporciona menor lixiviação, volatilização (principalmente se tratando do N)  e imobilização. Outro fator importante a ser mencionado é redução da poluição ambiental.

  A ureia é um dos fertilizantes de liberação lenta mais utilizados atualmente, ureia recoberta por enxofre elementar, que contém em média de 31 a 38% de N.


  Assim como os fertilizantes comuns os de liberação lenta têm diversas formulações e são sem duvida de grande praticidade para produção de mudas em recipientes.


Referências: 


BOCKMAN, O.C. & OLFS, H.W. Fertilizers, agronomy and N2 O. Nutr. Cycl. Agroecosyst., v.52, p.165-170, 1998.

SHAVIV, A. Preparation methods and release mechanisms of controlled release fertilizers: agronomic efficiency and environmental significancy. Proc. Int. Fertil. Soc., York, UK, n.41, p.1-35, 1999.

SHAVIV, A. Advances in controlled-release fertilizers. Advances in Agronomy, v.71, p.1-49, 2001.

domingo, 11 de outubro de 2015

Amostragem de Fertilizantes

 Todo mundo ao comprar um produto acredita que está adquirindo um produto idôneo, e que ele já foi testado e aprovado por órgãos competentes.
 Isso não é diferente com os fertilizantes os mesmos devem atender a exigências assim como qualquer outro produto, para que se possa ter a garantia do seu pleno funcionamento e para saber o que realmente está se adquirindo.
 Com os fertilizantes é realizada a amostragem é ela que inicia a avaliação de um produto, e cada produto tem uma forma especifica de ser amostrado, para que não comprometa o resultado final.
 Existe claro normas para coleta do fertilizante a ser testado, como a quantidade a ser coletada.  Lembrando que a coleta deve ser feita de forma aleatória, existe ainda diferença quanto o ensacamento.
 As formas de amostragem são fundamentadas de acordo com IN nº_10, vinculada do Decreto nº 4.954 de 10/01/2004, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


Fertilizantes ENSACADOS

Quantidade de sacos
Quantidade de sacos a  ser amostrada
Até 10
Todas
11 a 50
10
51 a 100
20
101 a 200
20
 Tabela 1: Quantidade de embalagens a serem amostradas


 Para coleta é utilizado uma espécie de sonda que pode ser de pvc ou aço inox, com um tubo duplo que seja perfurado.


Fonte: http://www.laudex.com.br/analises_fertilizantes_e_corretivos.html

 A amostra deve ser feita como dito de forma aleatória em posições diferentes. É preciso colocar o saco em uma superfície horizontal, em seguida deve-se inserir a sonda em sentido diagonal de cima para baixo, depois abre-se a sonda para que as perfurações sejam preenchidas com a amostra. (Figura 2)

Fonte: http://www.laudex.com.br/analises_fertilizantes_e_corretivos.html

 Após feita a coleta o material coletado deve ser colocado em recipientes limpos e que estejam secos, fechar bem os mesmos e nomear em uma etiqueta com o nome do cliente, dados do produto e data de coleta.

Fertilizantes ensacados em BIG BAG

Quantidade de sacos
Quantidade de sacos a  ser amostrada
Até 10
5
51 a 100
10
101 a 150
15
151 a 200
20
Tabela 2: Quantidade de embalagens a serem amostradas

 Quando a quantidade de sacos ultrapassar os 200 deve-se fracionar os lotes.
 Para fazer a coleta deve-se inserir a sonda de forma vertical e fechada, em três pontos diferentes de cada saco a ser amostrado, quando a sonda estiver no saco abrir a mesma para preencher as 
perfurações.

 Fig 3: Como inserir a sonda para amostragem em big bag
 Fonte:http://www.heringer.com.br/heringer/web/conteudo_pti.aspidioma=0&tipo=29615&submenu=2&img=29615&conta=45&son=29565

 Além da amostragem outra ponto importante é a chamada quarteação que consiste na separação da amostra, isso é feito através da metodologia manual ou por quarteador de Jones

Quarteação Manual
 Coloca-se o produto em uma superfície lisa e que esteja limpa, com uma régua divide-se o produto em quatro partes iguais em ângulos retos. Em seguida se escolhe duas partes que sejam de ângulos opostos deixando de lado as outras duas. Junta-se as partes escolhidas misturando-as, deve-se dividir as mesmas até que se obtenha uma quantidade para ter quatro amostras de 250 g cada.

Quarteador de Jones
 O quarteador de Jones deve ter no mínimo oito vãos de separação, com uma largura mínima de 15mm cada. Deve-se distribuir o produto em uma das bandejas coletoras, o mesmo deve estar nivelado, sendo em seguida despejado. O conteúdo será recebido por duas bandejas coletoras, desprezam o conteúdo de uma delas. Repetir até que possa compor quatro amostras de 250 g cada.
Fonte:http://www.peninsulafertilizantes.com.br/produtos/tecnico/


 Seguindo tais procedimentos será possível obter uma boa amostra, consequentemente um resultado satisfatório em laboratório que represente bem o produto de forma geral.

Links consultados:

http://www.peninsulafertilizantes.com.br/produtos/tecnico/     
http://www.heringer.com.br/heringer/web/conteudo_pti.asp?idioma=0&tipo=29615&submenu=2&img=29615&conta=45&son=29565



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Desafios da Indústria brasileira de Fertilizantes

E de conhecimento geral que o Brasil é um país agrícola e que ocupa primeiro lugar no ranking de exportação de vários alimentos, no entanto para obter essa grande produção é demandada uma grande quantidade de fertilizantes, e é ai que começa o problema.

O país não é grande produtor de fertilizantes e não consegue suprir a necessidade do mercado interno, com isso torna-se obrigatória a importação dos mesmos, em 2014 fomos o quarto país com maior consumo de fertilizantes no mundo, importando quase 70 por cento de sua demanda total de NPK.

A maior restrição na produção interna se dá por conta do fim da vida útil da principal mina de potássio existente que é a Vale, que tem demandado cada vez mais custo para exploração.
Frente a isso ainda tivemos a baixa nos preços dos fertilizantes internacionais, depreciando ainda mais o valor do produto produzido internamente, isso com base no ano anterior.

Outras dificuldades encontradas são os tributos cobrados pelo governo, as indústrias pagam a chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cefem), conhecidos como royalties de 2%, tal tarifa não é imposta por grande parte dos demais países que produzem a base para obtenção do fertilizante final. Não se pode esquecer ainda do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que chega a 8,4%, imposto que não se aplica aos produtos importados.

O tempo de espera que os órgãos competentes levam para liberar licenças ambientais é outro entrave, assim como o alto valor gasto com energia.

Frente a tudo isso e outros fatores existentes que não foram mencionados pode-se começar a entender o porquê da deficiência interna, e o porquê dos nossos produtos ficarem pouco competitivos comparados aos importados.


Dessa forma se faz necessário a criação de estratégias para conseguirmos driblar os diversos desafios enfrentados pela indústria brasileira de fertilizantes.